
Seis bilhões de pessoas devem acompanhar a Copa do Mundo FIFA de 2026, e a Unilever decidiu tratar essa audiência como uma rede de distribuição, não como uma plateia passiva de comerciais. A empresa colocou 50 mil criadores em campo, em mais de 120 mercados ao redor do mundo, para produzir conteúdo em volume e velocidade que nenhuma campanha de mídia paga tradicional conseguiria replicar. O resultado virou case de estudo para qualquer negócio que ainda trata influenciador como ação pontual.
Mais de 35 marcas do portfólio de cuidados pessoais da Unilever, entre elas Dove, Rexona, Degree e Axe, entraram na ativação da Copa do Mundo 2026. A empresa reuniu 50 mil criadores e influenciadores ao redor do mundo, com presença planejada em mais de 120 mercados. Hubs físicos batizados de House of Fresh funcionaram nas três cidades-sede do torneio (Cidade do México, Nova York e Miami), reunindo, até o fechamento da reportagem original, cerca de 1.200 criadores de esportes, games, beleza e entretenimento. Criadores também acompanharam partidas ao vivo, com acesso a camarotes e áreas VIP nos estádios.
A tática combinou três públicos de criadores trabalhando em conjunto: mega-criadores para alcance global, criadores regionais para relevância cultural e nano-criadores para credibilidade de comunidade. Kathryn Fernandez, responsável por propósito e engajamento da Dove na Unilever, resumiu o ritmo da produção de conteúdo com uma frase que já virou referência no mercado: “Isso é um Super Bowl a cada dois dias.” Ela também detalhou os formatos por trás dessa máquina de conteúdo: produção contínua no dia a dia, ativações pontuais para grandes momentos, séries para redes sociais e também UGC, o conteúdo gerado pelos próprios usuários e fãs. A ambição declarada pela marca foi simples de enunciar e difícil de executar: ter um criador presente em praticamente todo código postal do mundo.
Nada nessa escala aconteceu por acaso. Em março de 2025, a companhia anunciou que passaria a destinar metade do orçamento de mídia para redes sociais e criadores, com o objetivo de multiplicar por 20 o número de influenciadores com quem trabalha. A Copa 2026 foi o primeiro grande teste público dessa aposta, em escala real e sob a pressão de um evento acompanhado por bilhões de pessoas. Para a Unilever, o criador deixou de ser um complemento de campanha e passou a funcionar como um meio de comunicação próprio, ao lado de TV, mídia paga e varejo.
O modelo da Unilever não depende só de orçamento robusto ou contrato com celebridades. A lógica por trás dele é replicável em escala menor: uma rede de nano-criadores locais, engajados e com vínculo genuíno com o produto, costuma gerar mais resultado real do que uma publicação isolada de um grande nome. O conceito por trás do House of Fresh também vale a lição: espaços físicos pensados para gerar conteúdo espontâneo reduzem custo de produção e aumentam a percepção de autenticidade. Funciona para uma Copa do Mundo e também para uma feira setorial, um lançamento de produto ou um evento local.
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