
No começo de março de 2025, Duna: Parte Dois subiu ao palco do Oscar e levou a estatueta de Melhor Som. O detalhe curioso é que a trilha de Hans Zimmer sequer pôde concorrer naquele ano, barrada por uma regra técnica sobre sequências. Mesmo assim, o filme venceu na categoria de som, porque o que prende o espectador no deserto de Arrakis não vinha só da música: vinha também do rugido dos vermes gigantes, do silêncio pesado antes de um ataque e da forma como a sala inteira parece vibrar. Quem assinou esse trabalho foi o designer de som Richard King, o mesmo de Dunkirk, A Origem e Interestelar.
Esse tipo de reconhecimento diz muito sobre o momento do audiovisual em 2026. O som deixou de ser a última etapa da produção, aquela que entra correndo depois de tudo pronto, e passou a ocupar o centro da experiência. E a lógica não vale só para superproduções de cinema: ela chegou às marcas, aos vídeos de redes sociais e às produções que qualquer negócio publica.
Por muito tempo, o som viveu como coadjuvante, resolvido no fim do processo com o que sobrava de tempo e de orçamento. O chamado spatial audio, ou áudio espacial, ajudou a virar esse jogo. A tecnologia distribui o som em três dimensões, como se ele viesse de todos os lados, e deixou de ser exclusividade de estúdios para virar padrão de consumo. Plataformas como Apple Music e Spotify já entregam faixas em Dolby Atmos, e o que era experiência de cinema hoje cabe num par de fones.
O que diferencia o áudio imersivo é a noção de espaço. Em vez de um som achatado, que vem todo da frente, a mixagem binaural posiciona cada elemento ao redor de quem escuta: um passo à esquerda, uma voz que se aproxima, a chuva que cruza a tela. O cérebro lê essas pistas como presença física, e é por isso que uma cena bem trabalhada em som parece envolver o corpo inteiro, não só os ouvidos. O time por trás de Duna: Parte Dois mostra bem esse trabalho no vídeo abaixo.
No universo do luxo e das marcas de experiência, esse cuidado tem um efeito bem concreto. Trilhas originais e mixagens densas reforçam emoção e ritmo, e o público associa esse acabamento a qualidade mesmo sem saber explicar o porquê. A percepção acontece num nível quase subconsciente: a produção soa cara antes de dizer que é cara. Um vinho, um hotel ou um lançamento imobiliário ganham densidade quando o som acompanha a ambição da imagem.
A produção de áudio imersivo também embarcou na onda das ferramentas de inteligência artificial. Boa parte dos fluxos atuais já começa com camadas sonoras geradas por IA, pensadas desde o início para ocupar posições no espaço tridimensional. Isso encurta etapas que antes tomavam horas de estúdio e abre mais espaço para experimentar. O trabalho pesado fica com a automação, enquanto a escolha final continua nas mãos de quem dá a cara pela peça. É a mesma direção que vem transformando a produção audiovisual em operação contínua e outras tendências que marcam 2026.
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