
Em julho de 2022, Amanda Natividad, então vice-presidente de marketing da consultoria americana SparkToro, publicou um texto curto que deu nome a um comportamento que já se espalhava: o conteúdo zero-click. A definição cabe em uma frase. É o conteúdo que entrega todo o seu valor dentro do próprio post, sem pedir que ninguém clique em um link para chegar ao ponto. Ela escreveu isso reagindo a um dado da própria SparkToro: em 2020, 64,82% das buscas no Google terminaram na tela de resultados, sem nenhum clique para outro site.
Feed é a sequência de publicações que cada rede social monta para o usuário. Durante anos, a lógica das marcas foi usar essa sequência como vitrine para levar as pessoas embora, rumo a um site, uma página de cadastro, um formulário. O conteúdo zero-click parte da observação oposta: a maior parte da audiência nunca vai clicar, e tudo bem. Um carrossel que ensina algo do começo ao fim, um vídeo curto que responde a uma dúvida por inteiro, uma legenda que já traz a informação completa. Nesses casos, o próprio post funciona como destino, e a pessoa recebe o que veio buscar sem precisar sair dali.
Toda rede social ganha dinheiro com o tempo que as pessoas passam dentro dela. Por isso, os algoritmos, os programas que decidem o que aparece para cada usuário, tendem a favorecer publicações que mantêm a audiência na plataforma e a distribuir menos aquelas que empurram todo mundo para fora. Um link na legenda costuma alcançar menos gente do que um conteúdo que se basta ali mesmo. Cada plataforma tem seus próprios critérios, e a direção se mantém há alguns anos: quem segura a atenção aparece mais.
Na prática, produzir conteúdo zero-click significa montar peças autossuficientes. O carrossel educativo e o vídeo curto informativo são os formatos mais diretos, porque cabem inteiros na tela e não dependem de um segundo passo. O site e a página de vendas continuam importando, só que em outro momento: a etapa final, quando a pessoa já decidiu e quer comprar, reservar ou falar com alguém. O trabalho de atrair, ensinar e criar familiaridade acontece antes, ainda dentro do feed.
Medir resultado apenas pelo número de cliques ficou incompleto. Uma pesquisa da SparkToro publicada em 2026 apontou que menos de um terço das buscas no Google ainda enviam um clique para fora dos resultados. Alcance, salvamentos, compartilhamentos e o tempo que alguém passa lendo um carrossel dizem tanto quanto uma visita ao site. Foi essa leitura que Amanda Natividad ofereceu já em 2022, quando os índices de buscas sem clique tinham saltado de 50% em 2019 para quase 65% no ano seguinte. A audiência não desapareceu. Ela apenas prefere receber o conteúdo onde já está.
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