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Conteúdo · 25 ago 2026 · 4 min de leitura

Busca visual: quando a pessoa aponta a câmera em vez de digitar

Busca visual: quando a pessoa aponta a câmera em vez de digitar

Lou Wang, um dos criadores do Google Lens, contou numa entrevista publicada pelo Think with Google que o filho aprendeu a usar a ferramenta antes dos dois anos de idade. A cena é banal: criança aponta para tudo e pergunta o que é aquilo. O detalhe que interessa a quem vende alguma coisa é que esse gesto virou o segundo jeito de procurar. O Lens é usado por mais de 1,5 bilhão de pessoas por mês, cresceu 65% em um ano e acumulou mais de 100 bilhões de buscas visuais, segundo dados internos do Google citados na mesma publicação.

Compras é o uso principal, não curiosidade sobre plantas

Wang conta que identificar bicho e planta é uso forte em alguns países, mas que em boa parte do mundo o caso de uso número um é compra, principalmente para itens difíceis de descrever com palavras: roupa, objeto de casa, acessório. Faz sentido. Ninguém sabe escrever “aquela luminária de cúpula meio cônica, com haste fina e base pesada”. Fotografar resolve em um segundo.

Isso muda a natureza da busca. Durante vinte anos o trabalho foi adivinhar as palavras que a pessoa digitaria. Agora existe uma faixa grande de procura em que ela não digita nada, só aponta a câmera. Quem decide se o produto aparece é a leitura que a máquina faz da imagem.

O que a máquina precisa para reconhecer um produto

A recomendação do próprio Wang para quem vende é direta e pouco glamourosa: ter muitas imagens boas do produto, com informação precisa e específica descrevendo o que cada imagem contém. Nada de foto única de banco de imagem. Ele detalha: no caso de uma roupa, mostrar de vários ângulos, sozinha e vestida em corpos diferentes, porque é assim que as pessoas também fotografam quando procuram.

Isso conversa direto com a estrutura de cadastro que faz cada item ter campos definidos. Foto de vários ângulos e descrição específica não são capricho de quem gosta de organizar. São o que permite ao sistema entender que aquele objeto na câmera de alguém é o mesmo objeto que você vende.

Tirar produto antigo do ar custa venda

Tem um conselho na entrevista que contraria o hábito de quase toda loja. Wang diz que muita gente continua procurando por itens que saíram de linha meses atrás. Se o produto desaparece completamente da internet, o sistema não tem mais como ajudar naquela busca. A sugestão é manter as páginas e imagens antigas no ar, acrescentando informação sobre a versão nova ou indicando itens parecidos que estão disponíveis.

Na prática, cada página de produto descontinuado é uma porta que continua recebendo gente com intenção de compra. Apagar por organização é jogar fora tráfego qualificado que chega sozinho.

Onde isso aparece além do site

A foto do produto deixou de ser assunto só da loja virtual. Ela é o que a pessoa fotografa na prateleira, o que aparece no vídeo do parceiro, o que ilustra o catálogo em PDF que o vendedor manda no WhatsApp e o que a embalagem mostra na gôndola. Uma foto bem feita, com o produto isolado, boa luz e ângulos suficientes, rende em todos esses lugares e ainda alimenta a busca visual.

É por isso que, quando a gente entra num projeto de produto, a produção de imagem entra cedo, junto com a ficha técnica e a embalagem, e não como último item da lista. O mesmo material resolve muitas frentes de uma vez. Resolver mal na origem também se espalha por todas elas.

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Ponto de partida.

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Sim, vamos conversar

Resposta direta com o Fabiano. Sem formulário, sem rodeio.