Pular para o conteúdo
Inteligência Artificial · 02 set 2026 · 3 min de leitura

Menções a ‘lixo de IA’ cresceram nove vezes em um ano

Menções a ‘lixo de IA’ cresceram nove vezes em um ano

Tem uma expressão nova circulando nas redes em inglês, “AI slop”, que dá para traduzir por lixo de IA. Ela descreve conteúdo produzido em série por inteligência artificial, publicado sem revisão, sem ponto de vista, só para ocupar espaço no feed. O termo não veio de agência nem de consultoria. Veio do público.

A Meltwater, que monitora conversa em redes sociais, mediu o crescimento: as menções à expressão subiram nove vezes ao longo de 2025, e o sentimento negativo associado a elas chegou ao pico de 54% em outubro. Na mesma leitura, 39% dos consumidores se dizem animados com um futuro moldado por IA generativa, enquanto 51% se declaram incertos ou céticos.

Do que exatamente o público está reclamando

Vale ler com cuidado, porque o dado é fácil de distorcer. Ninguém está dizendo que usar IA arruína uma marca. O que aparece nas menções é cansaço com volume. Imagem genérica gerada em segundos. Legenda que poderia estar em qualquer perfil. Post de blog que responde tudo e não afirma nada.

O público aprendeu a reconhecer o padrão. Rosto liso demais, mão estranha, três adjetivos onde caberia um. E reconhecer sai caro para quem publicou, porque a suspeita não fica presa naquela peça. Ela contamina o que vem depois.

Onde a IA entra bem

Aqui na Moreau ela entra todo dia. Transcrição de reunião, primeira versão de estrutura, adaptação de tamanho de peça, corte de vídeo, busca de referência, conferência de dado. Trabalho que consome hora e não define nada.

O que não passa por ela é a decisão. Qual assunto merece post, qual número está certo, qual imagem tem a ver com o texto, qual frase fica e qual sai. Essa parte continua custando o mesmo tempo de sempre, e é ela que separa uma peça publicada de uma peça notada.

O prêmio pela coisa feita à mão

O efeito colateral interessante da enxurrada é que o material com marca de gente ficou raro. Foto real do produto real. Depoimento com nome e sobrenome. Texto que assume uma posição e aguenta ser cobrado por ela. Nada disso era diferencial em 2020.

Em 2026, é.

A pergunta que fica para quem publica toda semana é simples: se o público já sabe distinguir, o que da produção da semana passada passaria no teste?

Se essa conta não estiver fechando, Fala comigo →

Ponto de partida.

A gente combina?

Sim, vamos conversar