Depois da primeira temporada de The White Lotus, ambientada em Maui, o Four Seasons da ilha registrou um salto de 425% nas visitas ao próprio site e de 386% nas consultas de disponibilidade. Na temporada seguinte, gravada na Sicília, a procura por hospedagem no Four Seasons San Domenico Palace multiplicou por dez. Não foi campanha de marketing. Foi uma série de streaming.
O que é o Set-Jetting
O termo é um trocadilho com “jet-setting”, o hábito de viajar com frequência para lugares badalados, e “set” de filmagem. Na prática, descreve viajantes que escolhem destino a partir de um cenário visto numa série, num filme ou num vídeo viral, em vez de partir de um guia de turismo tradicional.
Segundo o estudo Unpack 2025, do Grupo Expedia, dois terços dos 25 mil turistas entrevistados afirmam que suas escolhas de destino são influenciadas por cinema, streaming e programas de TV. No segmento de viagens de luxo, a proporção é ainda mais concentrada: 35% dos viajantes da Virtuoso, rede especializada em turismo premium, dizem se inspirar em programas de viagem ou documentários seriados.
Como o turismo de luxo está respondendo
Hotéis e destinos de alto padrão passaram a estruturar experiências pensadas para reproduzir a atmosfera cinematográfica que atraiu o hóspede até ali. Isso inclui, em alguns casos, equipes de filmagem profissionais contratadas pelo próprio viajante para registrar a estadia com qualidade de produção, criando conteúdo que alimenta a próxima onda de Set-Jetting nas redes.
Um ciclo que se retroalimenta
O fenômeno cria um loop: uma produção audiovisual populariza um destino, viajantes de luxo vão até lá e produzem seu próprio conteúdo cinematográfico, esse conteúdo circula e inspira a próxima leva de curiosos. A Virtuoso registrou um aumento de 424% nas vendas para a Sicília depois da segunda temporada de The White Lotus, um indicativo de como esse ciclo se traduz rapidamente em números concretos para o mercado.
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