
Depois de uma década perseguindo o vídeo perfeito – cores calibradas, movimento suave, tipografia impecável – uma das tendências mais fortes do motion design em 2026 é o oposto disso: telas riscadas, textura de VHS, tipografia distorcida, cortes bruscos. E não é falta de orçamento. É escolha.
O motivo tem a ver com o excesso do lado oposto. Depois de anos de conteúdo hiper-polido gerado por IA inundando as redes, o olhar do público aprendeu um atalho: perfeito demais passou a soar sintético, e o levemente torto, granulado ou tremido passou a soar mais humano. Relatórios de tendência de motion design de 2026 – Envato, MonkyVision, Renderforest – apontam a mesma direção: a estética analógica virou um dos principais movimentos visuais do ano.
Aparece de jeitos diferentes. O “grunge street opener” puxa referência de graffiti, poster underground, fanzine e flyer fotocopiado, com jitter e transições de distorção. O revival VHS usa grão de filme, luz quente de tungstênio, linhas de fita e jump cuts, evocando vídeo caseiro dos anos 1980 e 90. E, no extremo oposto do espectro, o “coded motion” usa ferramentas de creative coding para criar sistemas generativos em tempo real – uma estética bem diferente da imperfeição analógica, mas que compartilha a mesma ideia: fugir do polimento genérico.
A Nike é um dos exemplos mais citados, revisitando referências e texturas retrô em campanhas recentes como “So Win” e “Why Do It” – uma marca com orçamento praticamente ilimitado escolhendo, de propósito, parecer menos produzida. É um lembrete de que, nesse caso, o diferencial não é o equipamento: é a direção criativa e a disposição de fugir do padrão que a própria marca ajudou a criar.
A boa notícia dessa estética é que ela não depende de orçamento alto – um smartphone, filtros de grain, a tipografia certa e um roteiro autêntico já bastam. O que separa o grunge bem feito do simplesmente maltratado é a intencionalidade: definir que texturas usar, quanta interferência aplicar, que paleta manter, e repetir esse sistema com consistência. É isso que transforma imperfeição em linguagem de marca, em vez de acidente.
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