Sete em cada dez buscas no Google já terminam sem clique

A SparkToro cruzou dados de navegação da Similarweb nos quatro primeiros meses de 2026 e chegou a um número desconfortável: 68,01% das buscas feitas no Google, nos Estados Unidos, terminaram sem nenhum clique para fora. Em 2024 eram 60,45%. Sete pontos e meio em dois anos.
A explicação está espalhada por várias mudanças acontecendo ao mesmo tempo. As respostas geradas por inteligência artificial que aparecem no topo (as AI Overviews) já estão em mais de 20% das buscas, e onde elas aparecem a taxa de clique cai perto de 60%. Some-se a isso o bloco de resposta direta, o painel lateral, o vídeo embutido, o mapa, a previsão do tempo. O buscador aprendeu a responder sem mandar ninguém embora.
O que isso faz com quem depende de busca
Números de tráfego que vinham crescendo devagar passam a andar de lado sem que nada tenha piorado no site. A posição continua a mesma. A impressão continua subindo. O clique não vem. É um tipo de queda que não aparece no relatório de posicionamento, só no de visita.
Vale dizer o óbvio: o dado é dos Estados Unidos. No Brasil o comportamento chega com atraso, mas chega. Quem acompanha o Search Console de um site pequeno já viu a linha de impressão descolar da linha de clique nos últimos meses.
O que continua funcionando
- Ser a fonte que a resposta cita. Quando a máquina resume, ela resume alguém. Conteúdo com dado próprio, número, data e autoria nomeada tem mais chance de ser o resumido do que texto genérico que repete o que já está em todo lugar.
- Assunto que não cabe num parágrafo. Comparação com muitas variáveis, cálculo, tabela de preço, disponibilidade, agendamento. A busca não resolve sozinha, então o clique acontece.
- Marca. Busca por nome próprio continua clicando. Isso não se resolve dentro do site, se resolve em tudo o que acontece antes dele.
- Canal que não passa pelo buscador. Lista de e-mail, WhatsApp, perfil social, indicação. Audiência que não depende de intermediário para chegar.
O site muda de papel
Durante quinze anos o site foi tratado como ponto de chegada da busca: fazia SEO, subia posição, recebia visita. Se a busca manda menos gente, ele passa a precisar de duas qualidades que antes eram secundárias. Converter melhor quem chega, porque chega menos. E ser bom o bastante para ser citado por quem responde no lugar dele.
Nenhuma das duas se resolve com mais post por semana.
Se no Search Console a impressão está subindo e o clique está parado, vale olhar de perto antes que o ano feche. Fala comigo →