A live do Instagram agora alcança quem nunca seguiu o perfil

No Cannes Lions deste ano a Meta anunciou uma mudança que passou meio batida por aqui: as transmissões ao vivo do Instagram entraram no leilão de anúncios. Em português claro, dá para colocar verba numa live e mostrar ela, enquanto acontece, para gente que nunca seguiu o perfil. O formato já rodava no Facebook e agora chegou ao Instagram, com expansão global anunciada.
Junto vieram duas novidades menores que mexem no mesmo tabuleiro. Uma é o checkout com cartão virtual: em parceria com Mastercard e Visa, a compra gera um número temporário de uso único, sem entregar o cartão real ao lojista. A outra interessa mais ao Brasil: o Mercado Livre entrou na rede de parceiros de afiliados da Meta aqui e no México.
Por que isso muda a conta da live
Até agora a live tinha um teto óbvio. Ela alcançava seguidores, mais alguns curiosos que a plataforma decidisse empurrar. Uma marca com quatro mil seguidores fazia live para trezentas pessoas num dia bom. Isso mantinha o formato no território do relacionamento, útil para quem já estava dentro.
Com verba atrás, a live funciona como vitrine aberta. E aí o número que interessa é o de conversão: plataformas de live commerce relatam taxas entre 9% e 30%, contra 2% a 3% do comércio eletrônico comum. Cabe um asterisco, porque esses números vêm dos próprios fornecedores de tecnologia de live, que têm interesse no assunto. Ainda assim, a diferença de ordem de grandeza aparece também em levantamentos independentes.
O que dá para fazer com isso agora
- Testar com o que já existe. Marca que já faz live de lançamento pode pegar a transmissão que aconteceria de qualquer jeito e colocar duzentos reais atrás dela. O teste custa menos que um dia de produção.
- Escolher o produto certo. Live vende bem o que precisa de explicação, demonstração ou noção de tamanho. Vende mal o que já está resolvido na foto.
- Preparar o pós-clique. Quem chega pelo anúncio não conhece a marca. Se a live joga a pessoa num perfil sem informação, num catálogo desatualizado ou numa página que não responde a pergunta seguinte, a verba compra alcance e nada mais.
O ponto cego
Live ao vivo é produção. Câmera, luz, som, roteiro, alguém no chat respondendo, alguém no controle. Quando a plataforma abre um formato novo, a corrida costuma ser por verba, e o que decide o resultado são os vinte minutos de transmissão.
Quem entrar cedo tem uma janela curta antes de o formato encarecer. Se a ideia estiver na mesa e faltar a parte de produção, Fala comigo →