UGC já responde por um terço das contratações de criadores

No relatório anual que publicou em 2026, a Collabstr, plataforma que conecta marcas a criadores de conteúdo, analisou mais de 21 mil contratações feitas ao longo de 2025. O UGC (sigla em inglês para conteúdo gerado pelo usuário) respondeu por 35% delas, contra 15% no ano anterior, e as campanhas desse formato cresceram 133%. Só o Instagram, com 40%, teve fatia maior; o TikTok ficou com 21%. Outro dado ajuda a entender quem puxa esse movimento: mais de 40% das campanhas de UGC vieram de empresas com orçamento abaixo de US$ 5 mil. Na plataforma, o UGC creator já ocupa um terço do mercado de criadores.
Quem é o UGC creator
O UGC creator é um criador contratado para gravar como um consumidor gravaria: celular na mão, luz natural, fala direta sobre o produto. A diferença para o influenciador está no destino do material. O influenciador publica no próprio perfil e empresta a audiência que construiu; o UGC creator entrega os arquivos para a marca, que decide onde e como usar. O número de seguidores pesa pouco na escolha, e o que conta é a capacidade de gravar de um jeito crível, algo que já aparecia na aposta das marcas em perfis menores de influência. O relatório da Collabstr resume a vantagem do formato: o mesmo vídeo pode rodar em anúncios, nas redes sociais da marca e no e-mail, sem precisar sair no perfil de quem gravou.
O dinheiro está na mídia paga
A Meta dá a dimensão do uso em anúncios. Na teleconferência de resultados de 29 de abril de 2026, a diretora financeira Susan Li informou que a receita anualizada dos anúncios de parceria (o formato em que a marca impulsiona conteúdo de criadores) mais que dobrou em um ano e chegou a US$ 10 bilhões. Em dezembro de 2025, a empresa já havia divulgado que esses anúncios entregam custo por aquisição 19% menor e taxa de cliques 13% maior do que os formatos padrão, e lançou uma interface de programação para transformar conteúdo de criadores e UGC em anúncios em escala. Na prática, boa parte do UGC encomendado nasce para rodar como mídia, testado em várias versões até achar a que performa.
O que os números de conversão medem
Um dado muito citado vem da Bazaarvoice, empresa que fornece sistemas de avaliações para lojas virtuais: a conversão foi, em média, 161% maior quando os compradores viram ou interagiram com conteúdo de outros consumidores no caminho da compra. Vale ler com dois cuidados. É um número de quem vende essa tecnologia, e ele mede sobretudo o que o mercado tem chamado de CGC (conteúdo gerado pelo cliente): fotos, avaliações e vídeos enviados espontaneamente por quem comprou. O UGC creator produz algo com a mesma linguagem, só que sob encomenda, e isso é publicidade. As duas coisas se complementam, mas pedem estratégias diferentes: o CGC depende de estimular e organizar o que os clientes já publicam, e o UGC encomendado depende de briefing, contrato e teste. No Brasil, o guia do Conar para publicidade feita por influenciadores, atualizado em maio de 2026, pede cuidado redobrado para que a natureza publicitária do conteúdo fique clara para quem assiste.
Como aplicar UGC com método
O briefing define o problema que o produto resolve, o que precisa ser dito, o que não pode ser prometido e o formato (demonstração, depoimento, abertura de caixa, tutorial). Encomendar variações de abertura para o mesmo vídeo permite testar qual gancho segura a atenção nos primeiros segundos. O contrato precisa deixar claro onde o material pode rodar, por quanto tempo e se entra em anúncio pago, inclusive pelo perfil do criador. Na medição, o que interessa é custo por venda ou por contato de cada versão, na mesma lógica de um relatório de tráfego com números que decidem. E o criativo cansa: a produção funciona melhor como fluxo contínuo do que como peça única, somando formatos como os vídeos em que se compra sem sair do player e as lives impulsionadas no Instagram.
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